Deus não criou a arte, o homem criou. A arte não existia no paraíso, lugar da plenitude da ligação entre o homem e Deus. Através de Deus homem busca a plenitude de sua vida, completude e justificativa para sua humanidade. Por Deus, Para Deus, Em Deus pode ser homem. E o paraíso era o lugar, sob a ótica da fé cristã, onde as potencialidades humanas encontravam-se plenas e acalmadas.
Deus não criou a arte, o homem criou. Ou será a mulher? De quem é a grande culpa da expulsão? A mulher que induziu ou o homem que mordeu? Se o paraíso, pleno, e a ligação com Deus fossem realmente tão bons assim, por que teria Adão, silenciosamente insatisfeito, mordido a fatídica maçã? Por que teria Eva o convencido? Tratamos de Deus afinal, e Deus é Deus, todo-poderoso Deus, onipresente, onipotente, onisciente, oni-Deus. E mesmo partindo do pressuposto de que o homem é que é falho, malfeito- mesmo que por Deus todo-poderoso- no paraíso, no Doce Lar criado por Ele, por que ainda lá o homem se encontrava insatisfeito? Por que contrariou o todo-poderoso?
E meu pensamento é, Deus não criou a arte, o homem criou. Essa maneira de ligar-se às suas potencialidades humanas, expulso do paraíso que já o fora homem faz arte para trazer para si e de si parte do significado que lhe falta. E o paraíso se manifesta, e lhe vem de dentro, lhe sai mundo afora, do homem, digo, e lhe conecta profundamente aos homens, à vida.
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