Encarando o papel em branco: o espelho. Exigindo que refletisse a mais pura representação de seu espírito: o belo. Olhava o papel em branco, para toda a vida não escrita, e desejava, interior e secretamente, escrevendo ficção escrever-se com ela.
Sua primeira palavra… “Ele”, e pensou “não, mas que óbvio”. Rabiscou. Pensou então sobre os paradigmas, e como não importavam. Quebrá-los, perpetuá-los, nesse estágio da escrita ocidental, não importava. E reescreveu “Ele”.
A palavra lhe penetrou o pensamento. Um suspiro do perceber-se vivo, escrevendo: escritor. Fechou os olhos, recostou a cabeça: refletiu. O vazio que só o escuro do fechar-olhos proporciona aos seres, foi atingido em cheio, abriu os olhos com medo, fitou o teto, branco como o papel.
Pensou em Camus, em Mersault, em suor escorrendo pelo rosto, em pólvora, em sol e calor, e voltou-se a si, querendo refletir seu próprio Camus no papel. Querendo transmitir a quem o lesse as sensações que experimentava quando lia Camus. Desejava, secretamente, ser escrito ao escrever. Ser tão interessante e charmoso quanto. Riscou. Escreveu: Eu.
E agora se achava tolo. O Eu parecia encarar-lhe, dizer-lhe sobre si mesmo, refletia uma escrita vaidosa, que tolice, como pôde cometer erro tão básico?! Era escritor. Sabia melhor. Pegou a borracha e apagou:
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