Queria eu por minhas mãos em sua forma plena,
sua cintura delineada à pena,
Ter o poder de elevar-te até compreender-te serena
Perfeita, como és, e pequena.
Queria decifrar todas as vozes que lhe gritam,
Saber o poder que suscita
Matar a ideia que lhe assusta: o homem mito.
Perfeita, como és, em vida.
Queria lançar-te por todos os caminhos,
E se assim o ousasse, o erro.
Não me cabem todas as suas dores
Mesmo que delas saiba no meu peito.
Mesmo que você não saiba
Nos dividimos em sujeito
E você existe tanto em mim
Que eu também morro
Em todas as guerras
Nas quais morres calada.
E eu também sofro
Nos todos os dias
Em que não vives plena
E eu também estou preso
às suas noites de masmorra
aos nós todos na garganta
Que lhe impedem de ser
Perfeita.
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