Vivo para o excesso. De outra forma não poderia. Vivo pelas horas sem dono. A liberdade sem vigília. As noites são o ambiente perfeito, para o existir praticado em euforia. Vivo para as quebras da rotina. Para os lapsos de conduta que bagunçam o prosseguir estável. Agradeço às instabilidades todas, frutos das quebras, dos lapsos, que só fazer afirmar que posso tomar decisões que as intermináveis sequências e e padrões do existir diário condenam. Vivo pelos atrasos, pelo sono não dormido. Pela conversa com meu melhor amigo madrugada adentro. Pelo cigarro fumado com inconveniente demora. Pelas expectativas quebradas que podem ser recompensadas em triplo. Pelas viagens de supetão, e pelos planos mirabolantes que não executarei. Vivo pelos caminhos mais longos, bem melhor aproveitados, e então pelos atalhos, pela ajuda humana, e por te considerar indispensável. Vivo pela surpresa, o frio na barriga, e quaisquer dores, de ordem emocional ou física, que me façam reconstruir todos os pilares da minha personalidade. Vivo pelos objetos, mas não nego sombras, e usarei minha energia vital na conciliação do Mundo e sua Penumbra. Vivo para o amanhã que posso parar de fumar, para apoiar meu amigo quando ele quiser parar, e darei o primeiro cigarro quando ele quiser voltar. Vivo pelo prazer único e absoluto da escolha, pelo descontrole do desejo e pelos saltos que o homem dá quando se encontra encurralado. Vivo nas engrenagens, e sou fatalmente aquela peça que adora ser mal colocada, funcionar mal a máquina inteira. Vivo quebrando a máquina. Vivo nesses dias.
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