Não sei onde reside a energia. Se é mal aplicada, ou se exauriu. Onde mora a força dos desejos plenos, as vontades genuínas. Como enfiar o dedo em uma tomada, para saber a sensação de ter-se eletrecutado. Qual o desejo que galopava frenético em mim quando criança para que eu me arriscasse, depois de todas as palavras adultas, e me atirasse contra o mundo, só pelo desejo de saber como é viver, através da experiência derradeira, a minha a própria?
O que define o ser em existência é o desejo. A matéria que, segundo leis próprias, se rege. Onde anda a minha regência? Meu Eu-Rei? A soberania de viver-se? Vivo pelas obrigações pressupostas em vida. Vivo pela própria obrigação da vida. A vida, um conceito tão bem elaborado que, convence o vivo da sua plenitude, pelo próprio fato da vida. Vida como fato. Não como escolha. Eu aceito. Eu vivo. Eu continuo.
Esses são os dias. Essas são as leis. E a “habilidade de continuar vivo”. Viver, como habilidade. Viver deixa de ser desejo. Viver se constitui por um mundo de promessas. Os livros têm muito o que falar sobre os meus desejos. E a religião. A política. O amor. A felicidade. Todos têm uma cartilha muito bem elaborada sobre os meus desejos. Eu mesmo, em algum lugar soterrado por todas essas verdades, não sei mais o que sinto, não sei dizer o que eu desejo. Mesmo assim, alguns dizem, eu continuo vivo.
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