terça-feira, 8 de novembro de 2011

Romance do Vício.

Você foi feito para ser amado em silêncio, não o foi? Amado em suspiros sutis, em delírio? Nasceu para o recesso e o íntimo, e trava com cada homem que lhe oferece seus lábios um ato eterno de confiança, de prazer, de vício?

Nasceu para estar entre os dedos, para ser manipulado, manuseado, queimar com nobreza. Quando me invade, entra-se, sai-se, deixando em mim o rastro de toda imprudência, oh criança perversa, Ai de mim! quando há de ti em mim. Ai de mim! na sua falta!

Nasceu para aquecer pensamentos, concentra o homem em sua própria clareza. Defuma-me, faz-me fuligem, me queima, como a ti é que te queimo inteiro, e te amo. Te destruo, me destrói inteiro, também, em pontuais, repetidas vezes.

Cá vivo, seu escravo, seu dono. Sua força, minha escolha, não o abandono, não me abandones, não me abandona jamais! Contrários, em nossa guerra própria, defenda comigo o direito de nos trucidarmo-nos. Defenda comigo o meu direito do mal. Do mal, que é meu, e seu, e que diariamente o escolho, me escolha: a liberdade.

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