Construí-me uma casa na solidão. Paredes sólidas de silêncio reflexivo. Uma entrada pouco convidativa. Uma casa de aspecto taciturno. Mas um refúgio para a noite da alma. Um abrigo para a vida ferida.
Construí-me uma casa na solidão. Longe dos castelos dos sonhos, longe das torres de ilusão, construí-me uma casa na solidão. Com paredes sólidas que comportam o silêncio reflexivo. Com uma lareira humilde e aconchegante para as ideias. Uma morada pequena, para agora que me encontro pequeno. Mas um lar seguro, agora que toda a segurança me falta.
Construí-me uma casa na solidão. Uma morada que comporta poucos, poucos de cada vez, hóspedes educados. Para quando quiserem também um conforto, ou reconforto, recobrar energias, pouso para o cansado, o abatido, o que todos os dias faz viagem tão longa quanto a minha através das horas.
Construí-me em casa para me poupar, me reconstituir, me recuperar, colar-me os pedaços. Uma casa pouco atraente à vista, mas com bom calor, o possível, interno. Construí-me a mim mesmo em uma pequena casa na solidão, e o silêncio, a reflexão, ajudam-me a enfrentar-me a mim mesmo. Luto internamente contra os pensamentos indizíveis, busco conforto no meu eu estranho, que hoje tanto me estranho, tanto não sei quem sou.
Construí para mim mesmo uma casa na solidão. Com paredes sólidas de silêncio reflexivo. Uma porta pouco convidativa para não chamar atenção. Poucos cômodos, um mínimo de hóspedes por vez. Uma casa contra a tempestade que se despeja sobre a vida a acontecer. Para mim mesmo, para poucos, um lugar por ora ser.
Nenhum comentário:
Postar um comentário