terça-feira, 8 de novembro de 2011

Uma ideia engasgada.

Uma ideia, como todas as ideias, impedindo o veio dos pensamentos, o fluir das sinapses. Uma ideia empedrada, coagulada, a sinto no cérebro, ocupando um espaço físico da minha massa cinzenta, central, e cada palavra que esse texto articula resvala pelas extremidades desse tumor, sem nunca nunca atingi-lo, sem desarticulá-lo. Uma ideia, com a cara preta de todas as ideias, o vazio negro e a explosão de raios, informação, imagens mentais, penso em um gato, como em uma câmara escura surge a fuça do gato, bigodes, nariz faíscam menos que seus olhos, que muito faíscam, o gato some, e a ideia continua lá, estática, sem faiscar nada, sem explodir-se em informação, gosto, fala, ato, mais pura escuridão. Comecei o texto na esperança de quebrá-la ao meio, fazer surgir de dentro da cápsula um raio de esperança, mas me veio a angústia, será esse bloco a imagem mental da angústia? Como uma nuvem chumbo flutuando no nada, pense em uma nebulosa, quero explodi-la em supernova, fazer-se espalhar o fogo do pensamento fluido, mas nada. Cada palavra pressupõe um esforço mental especial da área adjacente ao bloco, articulam-se as palavras como se a carga elétrica dos neurônios girassem em sua órbita. Por exemplo, reli o texto até essa parte antes de lembrar a palavra “órbita”, pensei na Lua, em satélites, rotação, translação, todos os conceitos me vieram, mas órbita, que eu mais queria, a necessária, fugiu-me, fogem-me todas. E a próxima frase, que suplício! Frase quase saiu como “linha”, mas o que é uma linha diante de uma frase, imaginem: “E a próxima linha, que suplício!”. E vocês teriam perdido, se é que em algum momento deram, o crédito(detestei essa frase)… mas enfim… vocês acreditariam menos no meu esforço em quebrar a ideia engasgada, sobre a qual comecei o texto falando sobre, e que ainda me impede de escrever qualquer coisa, inclusive sobre ela, qual será o nome dela? Angústia? Hoje eu perco para ela.

P.s.: Não consegui explorar nem a imagem da ideia engasgada que é a primeira que me veio. Como se engole uma ideia?

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