domingo, 29 de janeiro de 2012

Os insetos: procissão


Escadaria abaixo como se num formigueiro adentrasse. Pago pois paga-se, e vamos todos apertados. Velozes, rápido, 100km em linha reta ou em passos. Velozes, rápido, de modo que uns aos outros nos atropelássemos. A TV até no metrô me convence da utilidade da vida: Meu bairro valorizou, minha existência ficou mais digna. Em uma linha disforme seguimos desacordados, como em transe profundo, em ritmo programado. Como se a qualquer momento um dedo divino massacrasse inteira a procissão, e o cheiro forte que exala os corpos dos humanos, operárias. Alguns correriam desnorteados em busca do refúgio que não tem. O dedo divino que mata será da mão de quem? E a TV do metrô me convence que tão feliz eu nunca fui. O frio do vagão subterrâneo me acalenta o interior. Volto a subir as escada rumo ao mundo acima, que me espera. Já fora fumo um cigarro, já esquecido de mim, vou.

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