domingo, 29 de janeiro de 2012

Sal


Que me contrai artérias e vias. Me mata e me salva nos semáforos ocasionais. Como preso em permanente congestionamento meu amigo me diria nada se extrai sobre o congestionamento ele diria nada se narra. O que dizer do que eu extraio dos semáforos ocasionais? Do vermelho reluzente perpétuo barrando o fluir do sentido o movimento da vida o que se extrai? Nada se extrai ele diria. Nada se extrai eu concordo eu diria. Nada se extrai tudo se retrai quando se extrai esse. Sal. E se contrai o duto responsável pela passagem o sentido o movimento da vida. Que salva e que aniquila eu diria. E como se depura e qual seria a medida? Não se responde. Desse. Sal. Que se colhe e se doa e se extrai e que tanto contrai e retrai-nos a todos. Ninguém sabe. Ninguém nunca respondeu. O que se perde quando se doa e o que se ganha? E o que se ganha quando se perde e o que se doa? E do que dói quando se doa e eventualmente se perde algo se ganha? E o que se ganha quando se ganha e alguém se ganha quando ganhou? Quando se ganha? Quem se doou? Quem se perde todos sabem todos conhecem alguém cujo. Sal. Se esgotou. Mas ganhar significa encher-se com o. Sal da vida? Eu não sei. E você na minha frente, o outro. Você que todos os dias eu me cruzo para te alcançar. Você que também vive em mim e do meu chão eu só te colho. E na água do meu do seu do nosso mar depuro a nossa relação. É meu é seu é nosso esse mar? E desse. Sal. Que dispomos faltará em algum lugar? E quando nos contraímos demais e quando eventualmente nos relaxamos? Falo por mim quando recolho-me todo em. Sal. Falo por mim quando me contraio e me relaxo. O tudo. E não seria a tarefa mais solitária do mundo deixar-se evaporar para alcançar o estado concentrado do ser? E não será igualmente solitário hidratar-se e deixar-se fluir para o estado diluído do si? E o mundo, o que colhe do. Sal? O que verdadeiramente se impõe quando me impõe o mundo esse semáforo pontual? O que eu perco o que eu ganho o que é o. Sal? E o que você me impõe o que você verdadeiramente me impõe quando me impõe seu semáforo pessoal? E eu paro. E eu sinto tão dilaceradamente o excesso e a falta do. Sal. Que se igualam. Da falta do. Sal. Se narra. Do excesso do. Sal. Também se narra. Mas e do próprio. Sal. O que se disse? Qual o sal desse romance? Já perguntaram. E debruçam-se sobre o sal de cada romance muitos ao longo da história do tempo. Sobre a falta sobre o excesso trataram. Mas é do. Sal da vida. Que trato. Desse que se ganha e se perde no trato. Que nunca se ganha nunca se perde eu diria. Mas que somos fatalmente atingidos pela concentração ao redor. Eu diria? Do Sal nada se sabe mesmo que se saiba o tempo todo. Eu diria. Eu diria? Do Sal se vive e se morre e um dia cessa o movimento vital. Do Sal quem não dispõe e quem não recebe em vida já cessou. Do Sal pessoas verdadeiramente graciosas são aquelas que o manipulam se o manipulam de modo a não deixar-se notar o próprio Sal. Eu noto. Do Sal não sei meu Sal. E depois de enxergá-lo é possível esquecê-lo? E é possível passar pela vida sem sabê-lo e será melhor? E quando falta no outro é saudável oferecer-lhe o seu e do contrário aceitar o do outro? Do Sal eu não sei quando sei. Quando esqueço me lembro que quando lembro me esqueço. Do Sal nada se narra mesmo que ele seja tudo. E durante as vias contraídas. Durante os semáforos casuais pontuais pessoais. Nas minhas veias. No que vem no que vai no que volta sempre há falta e excesso de Sal. E o Sal cessa. E o Sal resiste. Se perpetua. Não importa. Do nosso Sal perdura o sal. O sal se narra.

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