quinta-feira, 31 de maio de 2012
Contemplação
A vida em você se manifesta de maneira tão habilidosa. Como se deslizasse através das horas você se chega e se vai e deixa pra trás qualquer rastro, poeira de estrela, qualquer aroma sutil de natureza viva. Há ao seu redor espécie de halo dourado, seus gestos emanam luz própria, de uma incandescência vigorosa, seu peito arfa, seus lábios são vivos em cores. Seus lábios, rosados, contornados em um chumbo fixo, seus lábios, grandes, enormes, precisos como deveriam ser. Quando se movem, seus lábios, sua voz suave surpreende quando ecoa da sua imponente figura, quando se movem seus lábios o mundo talvez pare durante os determinados segundos e só a você é que se escuta. A luz diminui, o palco da vida é seu. A vida em você se manifesta de maneira incesuradamente habilidosa. O sacríficio é valorizado, o pecado é bem visto. Há, claro, a cruz da existência, o peso de ser-se, mas em você o atos são dignos, irrepreensíveis. Eu não me canso de olhar, eu não poderia…
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