quinta-feira, 31 de maio de 2012
Os jornais.
Os jornais? Não os leio. Não me importam. Por que? Todas as notícias me dizem o mesmo: “O mundo continua”, e mal, sabemos nós. Mas e sobre a crise? E a inflação? Não me importa. Inflacionado está o custo da nossa humanidade, isso nenhum jornal publica. E o petróleo? Sei do petróleo todos os dias que abasteço o carro com a gasolina deles. Meu escapamento e meu bolso sabem mais sobre o petróleo que os jornais. E a dívida? A Classe C? Quanta ilusão. Deram ao homem o pão pisado, “que bom, pelo menos temos pão” dirão, “que bom, pelo menos eles tem pão” dirão vocês outros. Que pão é esse? Que fome ele mata? A minha continua mortal. Em algum estômago que alimento nenhum chega minha fome dói, por mim mesmo, por todos, por essa parcela de mundo confinada na minha própria existência besta. A Grécia está em chamas. Que bom. Ocuparam Wall Street. Já não era sem tempo. As notícias me chegam. Eu não leio os jornais. Não preciso. As notícias me chegam, são ruins, tem pernas longas. Não há nenhuma notícia boa nos jornais. As notícias ruins chegarão. “Acabaram-se os jornais por falta de leitores” talvez fosse uma matéria que eu adorasse ler. Publicada em lugar nenhum, ela seria ótima, matasse minha fome especial. Enquanto isso, não, não leio os jornais. O mundo está mal, eu sei. Tenho olhos pra enxergar e guardo o mundo inteiro em mim.
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