quinta-feira, 31 de maio de 2012

Pilar do mundo.

Ela começou um dia. Como um dia o sol também raiou, como todos os anos as estações mudam, como os rios correm na mesma direção, ela começou um dia. Um primeiro pé no chão, um após o outro, passos. Como as árvores imortais. Como o bater de asas imemoriais. Ela começou um dia, na origem do mundo, fez-se a luz, a vida, e ela. Como um processo incontrolável, como uma órbita eterna, como a incandescência de um estrela. Como o próprio soprar dos ventos, como formação das chuvas. É tudo tão natural na ditadura das horas. E a perseverança que não cansa. Uma fonte que nunca seca. É tudo tão banal no seio da existência. E o que é que ela não faria? E quando é que ela desanimou? Ela ficou na cama derrotada? Hoje ela não tomou seu chá? Algum dia ela não acariciou seus gatos? Ela nunca acordou fora de si. Sempre ela pairando sobre si mesma como um contrato. Irremediável, um pé após o outro, passos. E um passo após o outro tornam tudo tão comum na dilaceração do tempo. E quando foi que ela não terminou algo? Quando não esteve bem e preferiu o silêncio? Quando se aconchegou no escuro, na intimidade da solidão? E quando o sim ela disse não? Talvez ela nunca acabe. Talvez tudo pare quando ela finalmente se apagar. A roda só gira porque ela a move. Ela começou um dia, e nunca mais parou.

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