Você chama de poesia,
Eu chamo de azia.
Nunca foi tão pouco sutil
Um pau numa buceta
E você chama de poesia.
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É como assistir o animal planet:
Humanos!
É a celebração conforme do trauma familiar.
Você chama de poesia,
Eu chamo de azia,
E quero fugir pra Ásia.
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Qualquer chama que ardeu se apagou.
Do contentamento descontente só sobrou a ojeriza.
No decorrer das suas palavras,
Do que você chama de poesia,
Camões ressuscitou e se matou.
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Você é pior que Vinicius de Moraes:
Você é Vícios de Morais!
Você enterrou o amor romântico,
Você é o terror romântico!
Nunca foi tão pouco sutil
O desejo de adequar-se à paisagem.
E você chama de poesia.
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E o que você sabe de poesia?
E o que se compila
E imprime
E verdadeiramente goza com as suas palavras?
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Que boneca de pau você transou,
Que ovelha será tão desapercebida,
Pra comprar-lhe sua poesia ritual
Pra se inscrever sob sua rima medíocre?
O acasalamento heterossexual
Nunca foi tão pouco sutil
Mesmo que disfarçado
Sobre duas ou três palavras de intelectual.
Você mata o febril e genuíno do amor,
Fôrma distorcida e antiquada em pleno século XXI.
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Não, nunca foi tão pouco sutil
Um pau numa buceta
E você chama de poesia.
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